Saudade, falta de algo. Confusão, dores de cabeça, papéis ao chão. Cartas, todas ali espalhadas, frases pela metade, histórias sem pontos finais, apenas vírgulas. Até quando poderia prolongar aquele momento? Lágrimas, corações apertados, partida. É hora de ir minha querida, acabou.
Sumiu, acabou, a chegada do ponto final. Mesmo após a ardência das lágrimas em suas bochechas, a presença ainda estava ali. Era como se nada tivesse acabado, como se nada tivesse ao menos começado. Como? Ela o viu partir, afinal, teve que partir também. Houve todo o momento clichê, abraços prolongados e lágrimas indesejadas. Como poderia estar ali ainda?
Não estava. Houve uma carta, apenas uma terminada. Dentro da caixa, aquela jamais vista por ninguém, especial demais para se mostrar. Com um gesto cuidadoso a tirou de dentro de sua gaveta secreta. Levantou-a na pequena brecha de luz que entrava pela janela. Assim que tocou a luz, foi substituída por ar - como? - sumiu, simples assim. Agora, enfim, estava com seu destinatário. Poderia continuar, sim, apenas continuar, pois sua vida estava naquela carta. Por isso tão bem guardada.
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