sábado, 1 de janeiro de 2011

Com a pesada caneca de café em uma mão, e a outra sendo usada de apoio pela cabeça - vieram -, tudo de uma só vez, cenas repassadas incontáveis vezes e sentimentos reprimidos por falta de opção, enterrados no cantinho da alma pela forte necessidade de esquecer. Ela não queria se lembrar, não por ter sido ruim ou a feito mal, e sim por a ter feito tão feliz. Se tudo fosse lembrado outra vez seria impossível não fazer comparações, e com elas iriam vir o fato de que o presente não era, e nem de longe seria como antes. A grande e pesada nostalgia iria lhe bombardear, lhe arrancar todos os pequenos momentos alegres que lhe davam inspiração, por menores que fossem. Mas a aquela altura não poderia fazer mais nada, a encontraram e naquele momento já estavam torturando-a. Tinha que deixar passar, como no velho e sem graça ditado " tudo passa, até a uva passa ". Aos poucos os sorrisos iam crescendo, e com eles as lágrimas, a ausência das cores e presença da dor.